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Vem aí, o álbum Malandra.

De todos os projetos que descobri recentemente, o mais precioso continua a ser Ão, uma banda que me chamou a atenção pela primeira vez no Brussels Jazz Festival, em 2023. Escrevi sobre eles pouco tempo depois e o meu fascínio não esmoreceu. Pelo contrário, só se aprofundou: trata-se de uma banda cujo som parece simultaneamente ancestral e futurista, íntimo e oceânico.

Simon Taylor, em “Small country, big bands: the Belgian bands you need to hear now”, The Brussels Times, 26/12/2025

Nos últimos anos, os Ão têm vindo a afirmar-se na Bélgica e na Europa com a sua envolvente fusão de eletrónica e art pop. Com letras e interpretação, em português e inglês, de Brenda Corijn – de ascendência moçambicana e belga -, os Ão têm texturas eletrónicas criadas por Jolan Decaestecker, guitarras acústicas e elétricas de Siebe Chau e a percussão de Bert Peyffers. O quarteto desenvolveu uma sonoridade singular e sem fronteiras, que desafia qualquer rótulo de género. As suas diferentes origens e influências confluem de forma orgânica num som híbrido, à semelhança do que fizeram antes artistas como Stromae, Rosalía ou C. Tangana.

Depois das passagens por Portugal com atuações no MIL, em 2025, e na primeira parte do concerto dos dEUS em 2023, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, os Ão partilham agora com o público português o single Talvez, que antecede o lançamento de Malandra, o segundo álbum de originais, que sucede a Ao Mar.

O sol na pele, a cabeça em nuvens escuras e o coração num lugar a que preferias não voltar. Esse é o som de Talvez, o single dos Ão que antecipa o lançamento do segundo álbum de originais, Malandra, com lançamento no dia 13 de fevereiro e que sucede ao álbum de estreia Ao Mar.

Talvez nasceu na estrada. Depois de uma pausa de um mês, a banda voltou a juntar-se em digressão pela Eslovénia. Pelo meio, Brenda tinha procurado refúgio no Brasil. “Disse aos outros: só consigo relaxar verdadeiramente se partir com a ideia de que nunca vou voltar. Quando enviei um email ao Siebe a partir de lá, ele chegou mesmo a pensar que eu não regressaria.”

O charango, uma guitarra sul-americana, envolve a canção numa luz quente, mas, por baixo da superfície, algo fervilha. Talvez é um confronto disfarçado de melodia de verão: a história de alguém que foge de tudo e que, quando acredita ter partido de vez, reencontra alguém do seu passado. Alguém que ainda a sabe como ela foi. E de repente está outra vez ali, nessa parte de si própria da qual tentou fugir com tanta determinação.

“Talvez você se lembra da minha escuridão, Talvez só te lembres da minha escuridão.” Não é possível escapar a quem fomos, por mais longe que viajemos.

 Próximos Concertos

20 fevereiro, 4AD, Diksmuide, Bélgica

27 fevereiro, Muziekclub N9, Eeklo, Bélgica

28 fevereiro, CC MUZE, Heusden-Zolder, Bélgica

6 março, Kino Šiška, Ljubljana, Eslovénia

9 março, Flucc, Viena, Áustria

10 março, Berghain Kantine, Berlim, Alemanha

11 março, Kassablanca Gleis 1, Jena, Alemanha

12 março, Colónia, Alemanha

13 março, KIFF, Aarau, Suíça

18 março, POPUP!, Paris, França

19 março, De Gudde Wëllen, Luxemburgo

20 março, Rotown, Roterdão, Países Baixos

21 março, EKKO, Utrecht, Países Baixos

26 março, Ancienne Belgique, Bruxelas, Bélgica

28 março, MEZZ, Breda, Países Baixos

12 junho, Best Kept Secret Festival, Hilvarenbeek, Países Baixos

12 julho, Gent Jazz Festival, Gante, Bélgica

8 agosto, Festival Dranouter, Dranouter, Bélgica

12 novembro, Ha Concerts, Gante, Bélgica

19 novembro, Cactus Club, Bruges, Bélgica

21 novembro, Reflektor, Liège, Bélgica

26 novembro, Het Depot, Leuven, Bélgica

3 dezembro, De Roma, Antuérpia, Bélgica

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